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Por que não devemos alimentar pássaros silvestres em comedouros?

 
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Algumas pessoas tem o hábito de fazer comedouros para atrair passarinhos, mas será que essa é a melhor forma de alimentá-los e tê-los por perto?

Passarinhos em comedouros proporcionam uma bela cena não é mesmo? Algumas pessoas tem esse hábito por prazer de avistar a variedade de pássaros que chegam para comer, e ainda tem aqueles que acreditam que os pássaros estão a passar fome por não encontrar alimento natural principalmente nas cidades.

Mas será que falta alimento para os pássaros? 

Levando em consideração o hábito alimentar das espécies que geralmente são avistadas nos comedouros, não é o que parece. Pois grande parte dos frequentadores que ali pousam, são generalistas possuindo uma dieta natural bem variada. Como é o caso dos populares sabiá, bem-te-vi e o sanhaço, aves muito presente também nas cidades.

Para termos uma ideia, o sabiá alimenta-se de insetos e outros artrópodes, larvas, frutinhos silvestres, frutos cultivados (banana, mamão, goiaba, etc.) e ainda cava o solo úmido com o bico para comer minhocas. 
O sanhaço alimenta-se de insetos e outros artrópodes, néctar das flores, frutinhos silvestres e frutos cultivados. 
E o bem-te-vi come insetos e outros artrópodes, larvas, frutos silvestres e os cultivados, minhocas, pequenos répteis e anfíbios. É muito comum avistarmos um bem-te-vi batendo uma perereca contra o galho da árvore para matar e conseguir devorá-la. Essa ave pode ainda comer até filhotes pequeninos de passarinhos que caem do ninho.

Outros frequentadores dos comedouros possuem uma alimentação natural com predominância em grãos e sementes de capim, grama, alpiste, etc. Como é o caso do canário-da-terra, embora também se alimente de insetos.

E há os que se alimentam preferencialmente de néctar, como o beija-flor e a cambacica. Porém o beija-flor ainda alimenta-se de pequenos insetos e aranhas, e a cambacica complementa a alimentação com insetos e frutas. Para essas aves, geralmente são ofertados recipientes com água açucarada afim de imitar o néctar das plantas.

Riscos de alimentar pássaros em comedouros


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O fato é que em condições extremas essa prática pode ser de grande utilidade, como em países onde o inverno é rigoroso e tudo se cobre de neve, o que acaba por limitar a alimentação natural de muitas aves; ou ainda em programas de ecoturismo realizado por instituição de preservação ambiental com a finalidade de arrecadar fundos para a preservação de alguma espécie em risco de extinção e para educação ambiental; e casos como o recente incêndio no pantanal que destruiu grande parte do habitat natural e consequentemente a geração de alimentos.

Mas, salvo raras exceções, ofertar farta alimentação para pássaros silvestres pode impactar de forma negativa até na saúde das aves. Segundo um estudo realizado na Grã-Bretanha, a alimentação em comedouros pode aumentar a exposição e transmissão de patógenos causadores de doenças entre as aves.

Isso devido ao alto número de aves que frequentam a estação de alimentação por vários períodos e repetidamente por vários dias; aos comedouros que permitem as aves andarem e defecarem sobre os alimentos que outras comerão; e ainda aos restos de alimentos envelhecidos que acabam gerando fungos e bactérias.

A prática também pode causar desnutrição, pois os pássaros tendem a comer menos alimento natural, ficando com uma dieta inadequada e desbalanceada.

Outro problema desses comedouros é que aumentam as espécies não nativas, como os pombos e pardais, que pelo fato da farta alimentação, se estabelecem por perto e se proliferam, o que irá gerar uma competição por alimentação natural com as espécies nativas. Ainda tem o risco do surgimento de ratos que são atraídos por restos de comida no próprio comedouro ou no chão.

Como atrair e alimentar os pássaros de forma correta?


A melhor forma é criar meios para que sejam produzidos os alimentos naturais, para isso, podemos plantar árvores nativas, arbustos, ou para quem não tem espaço, somente flores. Toda vegetação atrai insetos que somados as flores e frutos, proporcionam alimentação variada.

O que é melhor para um beija-flor, ofertar flores que tem néctar rico em nutrientes, ou uma pobre água açucarada? Pois o açúcar no processo de refinamento perde vitaminas e minerais e ganha aditivos químicos.

Aliás, esses bebedouros são um risco à saúde dessas aves, pois quando o alimento não é trocado e o bebedouro não é higienizado diariamente, o açúcar acaba fermentando e gerando fungos que podem até matar os beija-flores.

Ofertar alimento para aves silvestres em comedouros, assim como para qualquer outro animal selvagem, não é recomendado, salvo raras exceções, devido aos riscos de transmissões de doenças; mudanças metabólicas ligadas ao excesso de alimento e seu baixo teor nutricional; impacto sobre a cadeia reprodutiva, principalmente de espécies não nativas; entre outros.

Se contudo, a ideia de alimentar pássaros silvestres permanece, aconselha-se para diminuir os riscos, moderação na quantidade para não haver sobras nem mau costume das aves; higienização diária do comedouro; e utilizar um modelo que não permita os pássaros caminharem sobre os alimentos.

Já ofertar pouco alimento uma vez ou outra, ou em dias alternados, como uma fruta, não há mal nenhum, pois não haverá um grande número de aves habituadas a receberem farta alimentação como nos comedouros e um desestímulo a busca por alimento natural. Mas o melhor, sem dúvidas, é proporcionar mais vegetação afim de contribuir para o possível equilíbrio ecológico.

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