Guapuruvu: uma exuberante árvore nativa da Mata Atlântica

 Guapuruvu (Schizolobium parahyba var. parahyba)

Nomes populares: guapuruvu, guapurubu, guarapuvu, ficheira, pau-de-canoa, pinho, pau-de-vintém, breu, fava-divina, etc.

Nome científico: Schizolobium parahyba (vell.) Blake var. parahyba

Família: Fabaceae


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Guapuruvu com 30 metros de altura plantado no entorno de nascente d'água

O guapuruvu é uma belíssima árvore que chama atenção por seu grandioso porte e algumas características bem peculiares que veremos adiante.

Essa árvore é nativa do Brasil, ocorre de forma natural na Mata Atlântica, da Bahia até o litoral norte do Rio Grande do Sul.

Na região norte e centro-oeste do país ocorre uma variedade (Schizolobium parahyba var. amazonicum) de nome popular paricá e que é muito similar ao guapuruvu, porém o paricá apresenta flores, frutos e sementes menores (DUCKE, 1949).

Características do guapuruvu


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Em destaque a bela flor do guapuruvu

O guapuruvu é uma árvore de grande porte, pode alcançar até 40 metros de altura. Possui um belo tronco cilíndrico, retilíneo, com casca quase lisa, com presença de lenticelas e com marcas transversais deixadas pelas folhas que foram caindo do tronco em crescimento. A cor do tronco é verde, até mesmo quando a árvore já atingiu a altura máxima, mas à medida que a árvore envelhece, vai se tornando cinza. Essas características tornam o guapuruvu uma árvore de fácil identificação.

Apresenta copa no formato umbeliforme. Folhas alternas, compostas, bipinadas, de até 1 metro de comprimento, com até 29 pares de pinas. Os folíolos são opostos e elípticos. As inflorescências são em cachos terminais com belas flores amarelas, floresce mais para o fim do ano, entre setembro e dezembro com a árvore despida da folhagem. 

Os frutos são obovados-oblongos, achatados, coriáceos, de 10 a 15 cm de comprimento e 3 a 6 cm de largura. Amadurecem nos meses de abril a outubro. No interior de cada fruto contém uma semente envolvida pelo endocarpo, um envelope fibroso e leve que ajuda a dispersá-la pelo vento. A semente é de cor marrom, brilhante e dura, que faz lembrar pequenas fichas, daí surgiu um dos seus nomes populares (ficheira).

O guapuruvu é classificado como uma árvore pioneira a secundária inicial e higrófila, portanto cresce a sol pleno e preferencialmente em solos úmidos, como margens de rios e mesmo em encostas de morros com vegetação primária ou secundária, onde a umidade do ar é alta.

Outra característica que chama atenção é em relação ao acelerado e surpreendente crescimento, em média 3 metros ao ano, porém tem um tempo de vida curto em comparação a muitas outras árvores, vive em média 60 anos.

Utilidades do Guapuruvu


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Caule do guapuruvu de cor verde e com suas marcas transversais

É uma excelente árvore para recuperação de áreas degradadas (dentro do limite de sua ocorrência natural) e sistemas agroflorestais devido ao rápido desenvolvimento, ter flores atrativas para abelhas e enriquecer o solo através da constante deposição de material vegetal que caem naturalmente.

Ela também pode ser empregada no paisagismo, porém deve-se ter atenção se o local é apropriado para uma árvore desse porte, pois seus galhos podem ser quebrados por vendavais e suas raízes precisam de espaço para que tenham uma boa ancoragem. Por segurança, o ideal é que seja plantada longe de residências por no mínimo 40 metros de distância.

As sementes são utilizadas no artesanato para fazer colares, pulseiras, brincos, etc.

Sua madeira, adquirida a partir de manejo florestal, é leve e de fácil trabalhabilidade, sendo empregada para produção de movelaria, caixotaria, forros, salto de calçados, etc. O tronco é utilizado por comunidades tradicionais na fabricação de canoa, conhecida como canoa-de-um-pau-só e canoa caiçara, aliás, por esse motivo existe o nome popular guapuruvu, que em tupi-guarani significa "tronco de fazer canoa".

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Assista ao vídeo sobre o guapuruvu:


2 Comentários

  1. Como gostaria de ter essas sementes e plantar perto da minha casa...tem um riacho perto da minha casa...acho que seria perfeito.

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    1. Ola Eliz!seria sim, essa árvore cresce preferencialmente próximo a rios. Só não é recomendado muito próximo de casas, pois quando algo impede as raízes se desenvolverem bem, ela pode tombar com vento muito forte.

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