Tipos de manacá: veja as características e diferenças entre eles

Conheça os manacás e suas características, saiba as diferenças entre o manacá-de-cheiro, o manacá-da-serra e o manacá-anão.

Os manacás são plantas dotadas de bela floração, sendo espécies indicadas como arbustos e árvores para jardins.

O nome popular manacá é em virtude das belas flores que essas plantas possuem, pois é um termo da língua tupi (manacán) e que faz referência a flor mais bela da floresta. Inicialmente os indígenas chamavam de manacá algumas plantas do gênero Brunfelsia, da qual pertence o manacá-de-cheiro. Já o manacá-da-serra, que pertence a outro gênero (Pleroma), passou a receber esse mesmo nome popular, ao que tudo indica, posteriormente por nossa cultura, devido as flores apresentarem a mesma característica de variação cromática.

Sendo assim, aqui citarei os três tipos que são mais conhecidos popularmente e usados no paisagismo.

Tipos de manacá e características:


Manacá-de-cheiro

Manacá-de-cheiro - Brunfelsia uniflora

Também pode ser conhecido como manacá-de-jardim, romeu-e-julieta ou primavera. Esse manacá  pertence à família Solanaceae e ao gênero Brunfelsia.

Esse gênero possui muitas espécies de difícil distinção devido algumas características similares. Entre elas, destaca-se a espécie Brunfelsia uniflora, o manacá-de-cheiro, planta nativa do Brasil com distribuição pelos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.

O manacá-de-cheiro é uma planta lenhosa, com porte arbustivo de até 3 metros de altura. As folhas são de cor verde-escuras, lisas, elípticas a obovadas. Apresenta inflorescência na primavera com flores de cor violeta que vão perdendo a tonalidade até ficarem brancas.

Essas flores, além de causar um belo efeito ornamental, salpicando a planta com tonalidades violeta e branca, devido as flores que envelhecem ao mesmo tempo em que outras vão surgindo, ainda são aromáticas e exalam um delicioso perfume.

Outro fato sobre o manacá que deve ser de conhecimento, é sobre a relação ecológica com a borboleta da espécie Methona themisto. Essa borboleta, conhecida como borboleta-do-manacá, deposita os ovos na planta, ocasionando no nascimento de lagartas de cor preta com listras amarelas e que se alimentam exclusivamente dessas folhas. Essas lagartas não são pragas e não devem ser retiradas, pois logo a planta se recupera com vigorosas brotações, e as lagartas se transformam em borboletas que em troca, polinizam as flores do manacá.

A reprodução do manacá-de-jardim pode ser feita por sementes, mudas que nascem das raízes da planta adulta, ou por estaquia, apesar de apresentar baixa taxa de enraizamento por esse método.


Manacá-da-serra  

arvore-florida-do-manaca-da-serra-no-jardim
Manacá-da-serra, foto mauro halpern via Flickr

O manacá-da-serra pode também ser conhecido como jacatirão e cuipeúna. Pertence à família Melastomataceae e de nome científico Pleroma mutabile. 

É uma árvore nativa e endêmica do Brasil, ocorrendo nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente na Serra do Mar, como árvore pioneira em matas secundárias. Apresenta ampla dispersão, se tornando em muitos locais uma espécie dominante. 

O manacá-da-serra possui porte de até 10 metros de altura. As folhas são lanceoladas, com tricomas (pelos), margem lisa e cinco nervuras. A inflorescência ocorre na primavera e verão, com belas flores que desabrocham brancas, podendo ter as bordas lilás, até tornarem-se totalmente lilás.

Flor do manacá-da-serra, foto mauro halpern via Flickr

A árvore promove um deslumbrante efeito multicolorido na floresta, com a copa recheada de flores de tonalidades diferentes ao mesmo tempo e em contraste com o verde.

Os frutos são pequenas cápsulas que se abrem naturalmente liberando as sementes.

A reprodução pode ser feita por sementes, que não possuem dormência e tem boa taxa de germinação quando coletadas assim que amadurecem, ou por estaquia de parte dos ramos.

É uma árvore de grande valor ornamental e, apesar de ser originária de encostas úmidas da Serra do Mar, pode ser aclimatada em outras regiões, sendo indicada para o paisagismo urbano de praças, calçadas e jardins residenciais.


Manacá-da-serra-anão 


Manacá-anão, foto mauro halpern via Flickr

Esse manacá é uma variedade comercial e anã da espécie arbórea que vimos anteriormente (pleroma mutabile). Portanto, possui porte arbustivo de no máximo 4 metros de altura. 

A inflorescência apresenta as mesmas características, com flores que desabrocham brancas e tornam-se lilás, não possuem aroma. A única diferença é que a espécie arbórea floresce no verão, enquanto o manacá anão floresce no inverno. O florescimento ocorre desde muito cedo, com a muda ainda em desenvolvimento, visto que são feitas a partir de estacas de plantas adultas que já florescem.

Para fazer mudas com as características idênticas da planta anã, a propagação deve ser feita por estaquia dos galhos ou alporquia. Já por sementes, podem ocasionar em plantas com porte arbóreo.

O manacá-da-serra-anão é muito comercializado para fins paisagísticos devido a bela floração e o porte pequeno. Pode ser cultivado até em vasos e a sol pleno.

Vídeo sobre as lagartas do manacá-de-cheiro:


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