Guaçatonga: características e benefícios para a saúde

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Guaçatonga

Família - Salicaceae

Nome científico - Casearia sylvestris

Origem - Nativa

Outros nomes populares - vaçatunga, guassatunga, erva-de-lagarto, pau-de-lagarto, lingua-de-tiú, café-bravo, cafezeiro-do-mato, caferana, chá-de-bugre, chá-de-frade, caiubim, são-gonçalo, saritan, ramo-de-carne, breu-de-tucano, camarão, etc.

A guaçatonga é uma planta originária de vários países da América Latina, ocorrendo naturalmente do México até a Argentina. No Brasil ela distribui-se como planta nativa por todas as regiões, em diversas formações vegetacionais e em tipos variados de solos, tanto de baixa fertilidade quanto alta, solos arenosos a argilosos e secos ou úmidos.

Características da guaçatonga


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Tronco de casca fissurada da guaçatonga

Como características, a guaçatonga é uma espécie perenifólia, pioneira a secundária inicial, secundária tardia, ou clímax. Apresenta porte que varia de acordo com as condições ambientais, podendo vegetar como subarbusto, arbusto, ou árvore de até 20 metros de altura.

A planta possui tronco reto ou tortuoso, podendo ser múltiplos, com casca fissurada e de cor marrom-acinzentado. As folhas são simples, alternas, dísticas, lanceoladas, ou ovadas, ou oblongo-lanceoladas, de margem serrada. As inflorescências são do tipo fasciculada, ficam dispostas ao longo dos ramos, com flores aromáticas, pequenas e de cor creme-esbranquiçada. A polinização é feita principalmente por abelhas nativas sem ferrão.

Os frutos são pequeninas cápsulas globosas de cor verde, eles se abrem em três partes deixando a mostra o arilo carnoso alaranjado a avermelhado. No seu interior contém geralmente de uma a seis sementes de cor marrom e que são recalcitrantes, perdem a viabilidade germinativa em poucas semanas após colhidas. A dispersão é feita principalmente por pássaros.

A guaçatonga é uma espécie recomendada para arborização urbana e recuperação de áreas degradadas por ter ampla distribuição natural pelo país e fornecer alimento para os animais silvestres, principalmente aos pássaros e polinizadores, sendo considerada uma planta melífera de inverno.

Guaçatonga (Casearia syilvestris): benefícios e contra indicações


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Ramos da Casearia sylvestris com frutos

As folhas, cascas e raízes da guaçatonga são amplamente utilizadas com intuito de proporcionar benefícios à saúde. Tribos indígenas aplicam a decocção das folhas contra mordidas de cobras e as cascas ou folhas contra diarreia, feridas e úlceras. Outros usos como planta medicinal são referentes para o tratamento de aftas, anemia, baixa imunidade, colesterol, doenças de pele, ferimentos, gastrite, gripes, herpes simples, má circulação, pressão arterial, picadas de insetos, queimaduras, tosse, além de outros.

Como propriedades medicinais já comprovadas, a guaçatonga tem atividade anti-inflamatória, antifúngica, antimicrobiana, antioxidante, antiulcerogênica, leishimanicida, tripanocida, ação bloqueadora do veneno de jararacuçu, e estudos recentes apontam para atividade antitumoral. Por todas essas propriedades terapêuticas, Casearia sylvestris está listada na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS/2009) que conta com 71 espécies. 

A recomendação de dosagem, de acordo com o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopéia Brasileira (p. 53, Anvisa, 2.ª ed. 2021), é que a infusão deve ser feita com 2 a 4 gramas das folhas em 150 ml de água e administrada em 2 a 3 xícaras ao dia.

Como efeitos adversos, o tratamento prolongado com a planta deve ser evitado devido a ação antagônica com a vitamina K, o que pode causar hemorragias. Também não é recomendado para pessoas que apresentem hipersensibilidade aos componentes da formulação do fitoterápico, e as gestantes e lactantes, devido à falta de estudos que comprovem a segurança nessas situações.

Curiosidades sobre a guaçatonga:

Através de observações populares, acredita-se que os lagartos, após serem picados por cobras, comem as folhas da guaçatonga como defesa contra o veneno, daí surgiu os outros nomes populares da planta, pau-de-lagarto e erva-de-lagarto.

Referências :
CARVALHO, P. E. R. Cafezeiro-do-mato Casearia sylvestris. Colombo: 2007, EMBRAPA - Circular Técnica 138.
SILVA, R. A. da. Casearia sylvestris SW: uma planta de interesse do SUS, RJ. 2016, Fiocruz.

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