Árvore sapucaia (Lecythis pisonis) e propriedades das castanhas

 
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ÁRVORE SAPUCAIA

Nome científico - Lecythis pisonis Cambess.

Família - Lecythidaceae

Origem - Nativa e endêmica do Brasil

Nomes populares - Sapucaia, castanha-sapucaia, cumbuca-de-macaco, castanheira-sapucaia, árvore-de-cumbuca, marmita-de-macaco, sapucaiaçu, sapucaia-de-pilão, jaçapucaia, marmiteira, entre outros.

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Lecythis pisonis centenária na mata

A sapucaia é uma árvore que pertence a mesma família botânica da castanha-do-pará, é nativa e exclusiva do Brasil, com ocorrência natural na Floresta Atlântica, em  regiões do nordeste até o sudeste, e na Floresta Pluvial da região amazônica.

Ela destaca-se por algumas características que a torna muito ornamental e, por conta disso, é uma árvore recomendada para arborização urbana, além das suas castanhas que servem para consumo humano e que possuem alto valor nutricional.

Características da sapucaia


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Tronco da sapucaia centenária em Vassouras - RJ

Lecythis pisonis é uma espécie secundária inicial, tolerante a áreas periodicamente inundáveis e intolerante a baixas temperaturas. Possui o porte entre 10 a 20 metros de altura em áreas abertas, podendo alcançar de 30 a 50 metros de altura no interior da floresta para atingir o extrato superior. O tronco é reto, com casca grossa, sulcado, de tonalidade pardo-escuro.

As folhas são alternas, ovadas a elípticas, com ápice acuminado, margem crenada, textura coriácea e cor verde-brilhante. A sapucaia é uma árvore decídua, perde suas folhas na estação do inverno, e, após esse período, as folhas novas ganham tons rosados que duram poucas semanas, deixando a árvore com um belo aspecto.

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Flores roxas junto as folhas novas de tons rosados

As flores da sapucaia são de cor roxa, ficando com partes esbranquiçadas a medida que envelhecem, são dispostas em racemos e ocorrem simultaneamente com a copa da árvore em tons de rosa. São aromáticas, de textura carnosa, com 6 pétalas e numerosos estames amarelos. A época da floração varia conforme as regiões, ocorre entre setembro e outubro no estado do Rio de Janeiro.

O fruto é um grande pixídio lenhoso, de formato cilíndrico, com base plana e parede espessa. Possui aparência de um pote de barro e popularmente é chamado de cumbuca ou cuia. Eles são utilizados para artesanato, como peça ornamental, vasos de plantas e até como utensílio doméstico em comunidades tradicionais.

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Fruto vazio com 20 cm de altura e parede de 4 cm de espessura

Após a maturação dos frutos, que ocorre entre junho e setembro, são liberadas as sementes pela abertura da tampa (opérculo) que se solta naturalmente. Essas sementes são castanhas oleaginosas, de 4 a 6 cm de comprimento, com casca sulcada, de cor marrom-escuro, brilhante e extremamente dura. 

Devido a essa rigidez, os macacos e morcegos, que são os dispersores das sementes, consomem somente o arilo carnoso e esbranquiçado que elas possuem na região basal e as descartam intactas no ambiente. Os morcegos são muito eficazes nessa dispersão, pois levam para consumir o arilo longe da árvore-mãe.

Propriedades da sapucaia


No uso popular, as cascas servem para o tratamento de desinteria, as folhas como diurético, e, em banho, contra coceiras, entre outros usos.

Segundo a literatura, o óleo extraido das cascas das castanhas possui propriedades cicatrizantes e atua contra dores musculares.

Em estudos, o extrato das folhas deram positivo para efeitos antipruriginosos, assim como para atividade de alívio a dor (antinociceptivo). E ainda estudos realizados com ratos por Martins et al. (2016) confirmaram efeito neuroprotetor presente nas nozes da sapucaia, sendo esta atividade correlacionada às propriedades nutricionais que atuam como antioxidantes e anti-inflamatórias.

As castanhas de sapucaia são comestíveis e saborosas, podem ser consumidas cruas, assadas ou cozidas e são dotadas de grande valor nutricional, entre os quais: são ricas em proteínas, lipídios, fósforo, potássio, magnésio, cálcio e fibras. Possuem tiamina, riboflavina, niacina e vitaminas B1 e B2 em quantidades razoáveis e ainda selênio e ácidos graxos insaturados (SOUZA et al. 2008), principalmente os ômegas, que atuam como antioxidantes. Por essas qualidades, as castanhas são procuradas para consumo afim de favorecer o sistema cardiovascular.

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