A aroeira-salsa também pode ser conhecida como aroeira-mansa, aroeira-piriquita e aroeira mole. Em outros países latino-americanos pode ser chamada de aguaribay, falsa pimienta, pimiento, pimentero, pimiento atacameño, pimiento boliviano e pirul.
A aroeira-salsa (Schinus molle) é uma espécie originária e nativa da região sul do Brasil, do Peru, norte do Chile, nordeste da Argentina, Paraguai e Uruguai. A planta é encontrada desde o nível do mar até 3.500 metros de altitude, inclusive nas regiões andinas. Segundo dados do Kew.org (Royal Botanic Gardens).
A árvore é tolerante a seca e geadas, pode crescer até em solos pedregosos. Hoje, a árvore encontra-se introduzida em várias partes do mundo para fins paisagísticos devido à sua beleza, porte pequeno e boa sombra que produz, características que a torna uma boa árvore para arborização urbana.
Características:
Entre as principais características, a aroeira salsa possui porte entre 6 a 15 metros de altura. Os ramos são pendentes e possuem folhas compostas e alternadas. Os folíolos que compõem as folhas são opostos, lanceolados, glabros, possuem margem serrada ou plana e medem de 3 a 8 cm de comprimento.
A inflorescência ocorre em panículas terminais ou axilares. As flores são pequeninas e podem ser verde-claras, amareladas ou brancas. Os frutos são vermelhos ou rosados, possuem aroma que lembra pimenta, tem sabor picante e agridoce.
As sementes da aroeira-salsa possuem dormência. O tempo de germinação após a quebra da dormência é de 20 dias e a taxa de germinação é de 40 a 80%. A quebra da dormência das sementes de aroeira pode ser feita com imersão em água durante 4 dias, escarificação mecânica ou imersão em ácido sulfúrico a 10% durante 5 minutos. Para armazenamento, as sementes podem ficar em temperatura ambiente por até três meses.
A aroeira-salsa serve para fins paisagísticos, ela proporciona boa sombra e, como visto, tem porte baixo. A árvore tem a copa um pouco semelhante a do salgueiro (Salix spp), uma árvore exótica e usada no paisagismo ao redor do mundo.
Utilidades alimentícias e medicinais da aroeira-salsa:
A aroeira-salsa tem usos ancestrais na culinária e medicina tradicional andina. Em registros históricos peruanos com data de 1540 - 1550 são descritos usos dos frutos para obtenção de bebida alcoólica e xarope.
Hoje em dia, as sementes da aroeira-salsa continuam sendo utilizadas em bebidas, entre elas, licores e uma bebida tradicional peruana chamada chicha de molle, tradicionalmente consumida em festas de santos padroeiros. A bebida consiste em um fermentado feito somente com as sementes, ela possui uma mistura de sabores entre o doce, ácido e floral.
O chicha de molle é consumido desde tempos pré-colombianos por civilizações Incas e Moche. Era uma bebida sagrada para esses povos e consumida em rituais e festividades. Hoje, o chicha de molle da aroeira-salsa é considerado um patrimônio cultural andino.
As sementes da aroeira-salsa também são consumidas da mesma forma que as sementes da aroeira-vermelha ou pimenta-rosa. Em muitas comunidades latino-americanas as suas sementes são utilizadas na culinária como substituto da pimenta e de outras ervas. As sementes tem pouca picância, mas são ricas em sabores agridoces e são muito aromáticas.
Outras utilidades da aroeira-salsa são referentes as suas propriedades medicinais. Na medicina popular são feitos usos sob a forma de infusão das folhas ou decocto das cascas e frutos para tratamentos diversos, entre eles: infecções bucais, infecções respiratórias, bronquite, febre, cistite, reumatismo, uretrite, diarreia, desordens menstruais e cicatrização de ferimentos.
A aroeira-salsa possui propriedade antiespasmódica, antirreumática, emenagoga, anti-inflamatória e cicatrizante. Em algumas pessoas sensíveis, a aroeira-salsa, assim como outras espécies de aroeira, pode causar algumas reações alérgicas, principalmente na pele.
| Folha composta com folíolos lanceolados e opostos |
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